Solidariedade
ONGs pedem socorro para atender famílias
Com fim do auxílio emergencial, procura por ajuda aumentou, mas doações diminuiram
Carlos Queiroz -
Um quilo de arroz, um quilo de feijão, amido de milho e um pacote de fubá. Esses eram os alimentos no armário na casa de Rita de Cássia, 39 anos. Mãe solteira de cinco filhos, com a chegada da pandemia e fechamento das escolas, não consegue sair de casa para trabalhar. "Antes eu fazia algumas faxinas aqui perto de casa, mas agora, assim como está, ninguém me chama. As pessoas estão com medo" comenta aflita.
Ela conta que precisou vender o botijão de gás para conseguir alimentar os filhos e agora conta com a ajuda da sobrinha para preparar a comida. Rita é moradora do bairro Getúlio Vargas e recebe ajuda do projeto Jovem Atleta. Na visita da assistente social do programa que faz um acompanhamento da família, foi entregue um kit de doação com itens essenciais para alimentação, dando um fôlego por pelo menos alguns dias. Nesse cenário, a ajuda de Organizações Não Governamentais (ONGs) é fundamental para amenizar as dificuldades.
Com a pandemia causada pela Covid-19 e aumento na crise econômica, a situação de quem presta esse apoio ficou ainda mais complicada. Iniciativas como o programa Jovem Atleta e a ONG Anjos e Querubins, criadas para ajudar quem mais precisa, estão pedindo socorro.
O Jovem Atleta, que atende moradores dos bairros Getúlio Vargas, Navegantes, Sanga Funda e Pestano, no pico da pandemia em 2020, chegou a ajudar 460 famílias. Em janeiro, conseguiu atender apenas 200, número que caiu para 140 em fevereiro e pode diminuir ainda mais no próximo mês caso as doações sigam do mesmo jeito.
Segundo Carlos Oliveira, coordenador do projeto, com o fim do auxílio emergencial a demanda de famílias aumentou. "A gente tem batalhado todos os dias para tentar suprir a demanda, mas tá impossível. O que estamos tentando agora é buscar parceiros para ajudar essas famílias que não tem nenhum ganho". Ele comenta que a maioria das famílias atendidas são de catadores que vivem em situação de extrema pobreza e que não estão podendo sair para trabalhar por conta da pandemia.
Já a ONG Anjos e Querubins atendia no ano passado 200 famílias, mas em 2021, com a queda no número de doações, estão sendo distribuidos alimentos somente para 40 famílias. O número também pode reduzir, o que gera preocupação a Ben Hur Flores, coordenador da instituição. "Todos os dias pessoas batem na porta pedindo ajuda e é triste não ter alimento para entregar. Esse é o pior momento de doação, parece que a solidariedade teve data de validade" comenta.
Redução com data marcada
Os coordenadores dos projetos sociais dizem que a diminuição nas doações começou após o período eleitoral, em novembro do ano passado. Desde então, a situação tem ficado cada vez mais difícil para conseguir atender todos que chegam pedindo ajuda.
"Quando as pessoas não têm, eles (projeto Anjos e Querubins) sempre dão um jeito de ajudar. Muitos viram a cara quando alguém precisa e mandam trabalhar, mas às vezes não tem serviço. Principalmente com a pandemia", desabafa Juliana Centeno, 31 anos, mãe solteira de quatro filhos que recebe ajuda da ONG. Por problemas de saúde e por não ter com quem deixar os filhos, sua única renda são os R$ 400,00 do programa Bolsa Família que, segundo ela, não é suficiente para se manter. Principalmente com o constante aumento nos preços dos alimentos.
Juliana se junta a Carlos, Ben Hur, Rita e tantos outros que dependem das doações na preocupação com a queda de contribuição por parte da sociedade e de empresas locais. Para conseguir ajuda, as duas ONGs planejavam ações em supermercados e no Centro da cidade já na próxima semana, mas com a classificação de Pelotas em bandeira preta por parte do plano de distanciamento do governo do Estado, os planos devem ser adiados.
Atividades
Além da doação de alimentos e roupas, as instituições contribuem na vida das famílias de outras formas. A Anjos e Querubins está com as inscrições abertas para os interessados em ingressar na ONG que oferece aulas de teatro, música, dança e reforço escolar. As atividades serão realizadas de forma remota. O projeto Jovem atleta oferece aulas de tricô e crochê para as mulheres, duas vezes por semana. Enquanto as mães estão aprendendo, os filhos ganham lanche da tarde e participam da hora do conto. Também são distribuidos almoços para crianças carentes e kits infantis para mulheres grávidas, além de ser feito acompanhamento durante a gestação.
Para doar
Programa Jovem Atleta
Rua Três, Loteamento Getúlio Vargas, 323
(53) 99192-0441 - Carlos
ONG Anjos e Querubins
Rua Quatro, Loteamento Getúlio Vargas, 112
(53) 98452-3731 ou (53) 99182-7813 - Ben Hur
Toda doação é importante, seja de roupas, brinquedos, material escolar ou itens de higiene e limpeza. Porém, no momento o mais necessário é:
- Arroz
- Feijão
- Farinha
- Açúcar
- Óleo
- Bolacha
- Leite
- Massa
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